A bioenergia e o futuro

futuro

Atualmente, 17% da matriz energética do Brasil é oriunda da cana-de-açúcar, substituindo mais de 1/3 de consumo de gasolina do país pelo etanol.

Antes de falarmos de números, falemos de conceitos. Bioenergia não carrega consigo o prefixo “bio” à toa: Sua origem é animal ou vegetal (biomassa), trazendo consigo a manipulação biotecnológica de transformação de matéria orgânica em energia.

A bioenergia atrai olhares de todo o mundo por se tratar, de forma esperançosa, de uma potencial alternativa para a tão sonhada e almejada transição energética que tanto se propaga em prol da manutenção e conservação do meio ambiente.

Tudo isso tem uma justificativa: o modelo econômico atravessa, de tempos em tempos, melhorias e aumentos de eficiência nos combustíveis que alimentam as atividades econômicas. Nos primórdios, com o uso do carvão, o meio ambiente era diariamente violentado com a extrema emissão de poluição das fábricas.

Após esse primeiro movimento, o desenvolvimento de outros tipos de combustíveis fez com que a produção ficasse mais limpa, ainda que extremamente poluente.

A noção de “energia renovável” nos remete a um tipo de energia mais limpa, menos poluidora, mais sustentável e que seja, em dada proporção, “ilimitada”. Exemplos desses tipos de energias são as eólicas (vento), solar, hidrelétricas (água) e nuclear – esta última com ressalvas, pois seus rejeitos e seu potencial destrutivos são alvos de discussões muito acaloradas.

A bioenergia, oriunda do bagaço da cana ou de outros vegetais é, acima de tudo, limpa. As emissões de gás carbônico (CO²) podem ser reduzidas, segundo estudo, em até 80% se utilizado o biodiesel.

Algumas fontes de bioenergia no país são:

  • Capim
  • Cana-de-açúcar (bagaço)
  • Outros tipos de resíduos florestais
  • Madeira (principalmente do eucalipto)

Biomassa

Impossível falar de bioenergia sem falar do que lhe dá origem, que é a biomassa.

Como já dito nos primeiros parágrafos, biomassa é a “matéria-prima” da bioenergia. Podendo ser de origem animal ou vegetal, ela é um produto da decomposição de resíduos orgânicos (e renováveis), como plantas, animais, lixo, madeira…

A biomassa torna-se um fator extremamente importante em toda a cadeia, pois reutiliza-se um resíduo que antes era descartado e não aproveitado. Além disso, colabora diretamente para a drástica redução de emissão de gases estufa para a atmosfera.

Se historicamente a biomassa era uma fonte de energia desprezada, nos dias atuais ela já corresponde a cerca de 13% da produção global de energia.

A biomassa é geralmente extraída de resíduos industriais. Galhos, madeira, folhas… tudo pode ser aproveitado como biomassa. Por exemplo, a lixívia negra (ou licor negro), importante fonte de energia oriunda da biomassa, é extraída durante o processamento de madeira para obtenção de celulose.

 

Biocombustíveis

Os biocombustíveis são os maiores derivados da bioenergia e, por conseguinte, da biomassa.

De uma forma geral, os biocombustíveis são substitutos integrais ou parciais dos combustíveis convencionais (petróleo e gás), gerando energia a uma taxa de poluição bem menor, ainda que, por ora, com pouco menos eficiência.

Muito devido a sua vasta biodiversidade e abundância de recursos naturais, o Brasil foi o primeiro país no mundo a utilizar biocombustíveis e desenvolver políticas de nível nacional incentivando o uso de tal, como por exemplo, o Pró-álcool, desenvolvido em 1974 em consonância com a crise do petróleo na época.

Os biocombustíveis possuem extrema importância na já citada transição energética, pois como os automóveis viabilizam a circulação de produtos e pessoas pelo espaço urbano, faz-se necessário buscar alternativas menos nocivas para que consigamos continuar vencendo as distâncias das cidades.

É possível imaginar um mundo sem automóveis? Já que hoje isso é uma utopia, que os automóveis sejam cada vez mais ecologicamente corretos e menos poluentes.

Alguns exemplos de biocombustíveis são:

  • Biogás
  • Bioéter
  • Bioetanol
  • Biometanol
  • Biodiesel
  • Etanol
  • Óleo vegetal

 

Vantagens x Desvantagens

Como toda fonte de energia, temos lados bons e lados ruins de sua produção e consumo.

Até mesmo o petróleo, que apesar de altamente destrutivo para o meio ambiente, possui altíssima eficiência em diversas áreas de aplicação, “justificando” sua utilização até os dias atuais, mesmo que com todo o ônus de seu consumo.

Como vantagens da utilização de biocombustíveis, podemos citar:

  • Menor poluição atmosférica;
  • Trata-se de uma energia renováveis;
  • Baixo custo;
  • Reaproveitamento de resíduos e rejeitos;
  • Ambientalmente correta

Entretanto, nem tudo são flores. A bioenergia, para ser produzida, necessita de biomassa. Ok, e de onde vem essa biomassa? Se quisermos produzir em larga escala, também devemos disponibilizá-la em abundância.

Aqui vai uma lista de desvantagens dos biocombustíveis:

  • Desmatamento para plantio de “matéria-prima”, como o eucalipto;
  • Menos rendimento e eficiência que os derivados de petróleo e gás;
  • Possibilidade de aumento de chuvas ácidas;
  • Obstáculos logísticos, como transporte e armazenamento de biomassa.

É necessário continuar investindo em pesquisa e desenvolvimento, pois, mesmo com algumas desvantagens consideráveis, os biocombustíveis e a bioenergia apresentam-se como alternativas plausíveis, seguras e palpáveis de um futuro mais sustentável e equilibrado.

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