A Biotecnologia a serviço da vida

A biotecnologia, como o próprio nome indica, refere-se à ciência que mescla tecnologia e vida em busca de resultados específicos. Tratamento de efluentes, agroindústria, controle de pragas, alimentos e produção de energia são algumas de suas aplicações.

Neste artigo, especificamente, se abordará a biotecnologia empregada na área da saúde, produzindo biofármacos que são vitais para a contínua melhoria dos tratamentos de patologias, aumentando a expectativa de vida da população e sua qualidade de vida.

Fármaco é uma substância terapêutica usada para tratar, prevenir ou curar doenças (IPEA, 2018). Os biofármacos são compostos originados de tecnologia empregada em organismos (ou seja, biotecnologia), por vezes até modificados geneticamente, em atividade industrial.

 

O que são Biofármacos?

Os biofármacos são desenvolvidos e aproveitados em um vasto e virtuoso conjunto de instrumentos da biotecnologia aplicada à saúde humana, como vacinas, células-tronco, clonagem e terapia gênica, por exemplo.

Para a produção de um biofármacos, geralmente segue-se uma trilha conhecida. Segundo estudo do IPEA (2018), temos:

  • Definição do alvo no corpo humano em que se deseja incidir o medicamento – Esta etapa exige muitos anos de pesquisa e engajamento devido a altíssima complexidade de nossa biologia;
  • Feito isso, identifica-se o composto ideal que irá trabalhar nesta molécula do corpo humano desejada – Neste momento, empresta-se da Engenharia Genética o conhecimento necessário para a tarefa.
  • Início de estudos pré-clínicos por empresas de biotecnologia – Nas fases anteriores, as pesquisas concentravam-se nas universidades e centros de excelência. Neste momento, a iniciativa privada toma a frente do processo.
  • Por fim, realizam-se testes em humanos, após verificar que o biofármacos apresenta valor financeiro, eficiência e segurança.

Algumas aplicações de biofármacos em tratamentos humanos

Podemos citar alguns importantes exemplos de biofármacos produzidos para atender às demandas de saúde coletiva, como por exemplo (FARMANGUINHOS, 2010):

  • Insulina – tratamento de diabetes
  • Enzimas – agentes trombolíticos, digestivos, etc.
  • Fatores – sanguíneos tratamento de hemofilia
  • Anticorpos – tratamento de diferentes tipos de câncer

Além dessas citadas acima, é possível encontrar também biofármacos utilizados no tratamento de “anemias, hepatites, controle da rejeição de transplantes, doenças autoimunes e algumas doenças do metabolismo”. (IPEA, 2018)

Mercado de Biofármacos no Brasil

Sem dúvidas, é necessário ressaltar que os resultados atingidos pelos biofármacos são propulsores deste mercado em contínua e franca ascensão, pois sua eficácia em relação a alguns tratamentos convencionais sobressai.

Entretanto, dada sua alta complexidade de execução e elevado risco em comparação com os remédios sintéticos, os biofármacos ainda não possuem conhecimento acumulado e escala industrial como os fármacos convencionais.

O Sistema Único de Saúde do Brasil (SUS), em 2008, gastou cerca de R$ 2,3 bilhões com medicamentos de alto custo, onde desse montante, 41% foi empregado na aquisição de biofármacos para o tratamento de dezenas de doenças, beneficiando mais de 700 mil usuários do sistema.

Importante frisar: esses 41% do total do investido dizem respeito a apenas 2% do montante adquirido, ou seja, os biofármacos são produtos de uma cadeia econômica de alto valo agregado.

Atualmente, o Brasil gasta algo em torno de R$ 4 bilhões em biológicos, consumindo quase metade do orçamento anual do Ministério da Saúde.

 

Eficácia dos biofármacos no tratamento de doenças

Biofármacos e fármacos sintéticos possuem uma diferenciação considerável em sua estrutura molecular, onde os Biofármacos possuem uma estrutura molecular extremamente mais complexa, podendo conter até 1000 vezes mais átomos do que uma molécula de um fármaco convencional.

A fim de manter suas propriedades e complexidade estrutural, em outras palavras, sua integridade e eficácia, os biofármacos são injetados no corpo, pois sua ingestão por via oral ajudaria na deterioração de sua estrutura.

De modo geral, os componentes os quais se dedica mais atenção para sua produção são as proteínas terapêuticas. Dentre elas, podemos destacar:

  • Anticorpos monoclonais

Um anticorpo nada mais é que aquele soldado que está de vigia dentro do corpo e, ao ver alguém de “fora” com comportamento estranho, ele interpela, se aderindo ao corpo e recrutando outras defesas do sistema imunológico para combatê-lo.

Os anticorpos monoclonais são anticorpos feitos em laboratórios, projetados e programados para determinados antígenos.

Estes são muito utilizados em tratamentos de câncer, pois ao identificar uma célula cancerígena como antígeno, pode-se multiplicar os anticorpos monoclonais a fim de deter o avanço da doença.

  • Peptídeos

São aminoácidos que possuem variadas funções na estrutura do corpo humano, podendo ser desde um neurotransmissor até um antibiótico.

Os peptídeos bioativos são manipulados em laboratórios, sendo proteínas que podem exercer funções parecidas com os anticorpos, por exemplo.

  • Vacinas

Servem basicamente para impulsionar o sistema imunológico, aumentando a proteção ao corpo humano.

As vacinas também podem sofrer influencia de biotecnologia, conferindo-lhes mais eficácia e eficiência.

Por exemplo, algumas vacinas que são produzidas no Brasil e que recebem incrementos oriundos da biotecnologia são a de Sarampo, Tétano, Febre Amarela, Meningite meningocócica e Hepatite.

Por fim, podemos identificar na biotecnologia aplicada à saúde não apenas como um grande mercado em expansão, mas como um rico e vasto caminho a ser trilhado em prol do desenvolvimento científico a serviço da vida.

Fontes:

http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/8522/1/TD_2398.pdf

http://www2.far.fiocruz.br/farmanguinhos/images/stories/leda_castilho.pdf.pdf

http://revista.oswaldocruz.br/Content/pdf/Edicao_19_Veridiana_Oliveira.pdf

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