Uso de feromônio no controle de pragas

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É notório que a sociedade como um todo desperta, em certo ponto, um senso coletivo de preservação do meio ambiente, seja por conta da paisagem, seja por conta da economia (reciclagem, reaproveitamento de material e energia), seja por água ou por comida.

A alimentação ganhou muita notoriedade após a sociedade entender que parte do lobby pela utilização de agrotóxicos se dá por conta da fortuna que esse mercado movimenta, em detrimento à segurança alimentar da população, principalmente, dos mais pobres.

O alimento orgânico é mais caro no mercado, você provavelmente já percebeu isso. Mas e o alface que você poderia cultivar em seu jardim? A grosso modo, poderíamos dizer que ele seria gratuito, não é mesmo?

Desta forma, podemos observar que entraríamos numa ampla e diversificada discussão, como uso e ocupação do solo, ordenamento territorial, moradia e etc.

Mas, uma coisa conseguimos comprovar: produzir alimentos não é ou não deveria ser algo caro e inacessível. E não, também não devemos e não precisamos comer comida envenenada com o pretexto de que “lagartas comem as plantações”. Temos de superar isso.

 

Alternativas mais naturais e saudáveis

Precisamos, urgentemente, encontrar e empregar alternativas mais naturais e saudáveis para garantir a segurança da alimentação da população, assim como a preservação ambiental.

Percebe-se, portanto, que a biotecnologia aplicada à agricultura e a alimentação é um instrumento fundamental de promoção dessas alternativas menos agressivas, tanto à natureza quanto ao ser humano.

Existem diversas técnicas biotecnológicas que propiciam caminhos outros que não a contaminação de plantas, trabalhadores, consumidores, solo, corpos hídricos e atmosfera por utilização dos agrotóxicos.

Temos, por exemplo, os biofertilizantes, a utilização de plantas geneticamente modificadas, os bioinseticidas, uso de feromônios como armadilhas, entre outros.

Os últimos, no caso, são a motivação desse texto, pois são importantes substitutos diretos dos agrotóxicos na defesa das lavouras contra as pragas que nela podem parasitar.

Os feromônios são importantíssimos para combater os insetos específicos que deseja eliminar, atacando apenas esses que oferecem ameaças e não os demais animais e plantas que nada tem a ver com o problema.

Confira a seguir quais são os benefícios diretos das armadilhas feitas com feromônios em relação aos defensivos convencionais:

  • Conservação de espécies outras que não as pragas que se busca combater, mantendo o equilíbrio ambiental do sistema, mantendo vivas as espécies que competem naturalmente no local e os agentes polinizadores;
  • Redução de defensivos químicos, reduzindo custos de operação e aplicação, além de reduzir os impactos socioambientais;
  • Diminuição drástica da contaminação ambiental;

 

Armadilhas com o uso de feromônios

Uma técnica amplamente utilizada nas lavouras brasileiras é a utilização de feromônios para combater os percevejos nas culturas de soja e, principalmente, de arroz.

Os feromônios são hormônios utilizados pelos insetos para comunicação entre si. Desta forma, ao utilizá-lo nas lavouras, os feromônios conseguem interferir na organização dos insetos.

Os insetos são os responsáveis por até 80% da perda de produção. Ou seja, os percevejos representam um perigo, além de real, gigantesco para os agricultores. Provavelmente, só de ouvir seus nomes já é motivo para causar arrepios aos produtores.

Tecnologia desenvolvida pela EMBRAPA, a utilização dos feromônios – também chamados de semioquímicos – é eficiente pois eles monitoram os percevejos, controlando sua proliferação e reduzindo a necessidade de se utilizar os insumos químicos.

Deste modo, conseguimos “enganar” os percevejos, pois é como se déssemos um sinal falso para os insetos, atraindo-os para armadilhas espalhadas pela lavoura. Assim, os feromônios utilizados pelos agricultores acabam por conduzi-los até sua captura.

Ao fazê-lo, os semioquímicos fazem com que se diminua drasticamente a utilização de agrotóxicos, tendo em vista sua alta eficiência. Além disso, os defensivos químicos costumam aumentar a resistência das pragas, não as combatendo e ainda dificultando seu controle.

Um exemplo relevante que podemos citar é o caso da rizicultura – cultura de arroz. Como ela é viabilizada pela irrigação abundante, é importantíssimo o fato de diminuir o uso de agrotóxicos, pois a contaminação da água utilizada na lavoura representa um grande impacto ambiental.

Outro ponto positivo é conseguir “programar” o defensivo biotecnológico apenas para a controle dos percevejos, por exemplo. Desta forma, consegue-se poupar a vida de outros animais extremamente importantes para o planeta, como é o caso das abelhas que vêm sofrendo muito com a utilização abusiva dos agrotóxicos.

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